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Acupuntura

Uma coleção de manuscritos chineses originários do século XVIII a.C., mas só descobertos 15 séculos mais tarde, traz a primeira informação de que se tem notícia sobre a técnica da acupuntura. O Nei Jing (Nei Ching), o mais antigo tratado de medicina oriental que se conhece, descreve a implantação de agulhas em determinados pontos da superfície corporal para a obtenção de efeitos terapêuticos.

Origens e fundamentos. Essa obra menciona os chamados xue (hsueh), pontos cutâneos nos quais se aplicam agulhas para eliminar a dor ou insensibilizar certas áreas do corpo. Esse último efeito permite o emprego da acupuntura como técnica de anestesia cirúrgica, com resultados bastante satisfatórios. Os pontos sobre os quais se inserem as agulhas estão distribuídos ao longo de linhas chamadas meridianos, que percorrem a superfície do corpo em sentido vertical, formando pares simétricos nas faces dorsal e ventral do corpo. O efeito produzido pela aplicação correta das agulhas se explica, segundo os chineses, por um antigo preceito da filosofia oriental. A disposição oposta dos meridianos dorsais e ventrais, através dos quais flui a energia fundamental que rege o funcionamento do organismo e é o princípio da vida (chi), corresponde à alternância entre o yang -- o positivo, a luz, o sol, o céu, a vida, a força do dorso -- e o yin -- o negativo, o frio, a terra, a fraqueza do ventre. A cada ponto de um dado meridiano corresponde outro na parte oposta, e disso deriva o equilíbrio de que dependem os efeitos proporcionados pelo estímulo da agulha. Embora essa antiga interpretação nunca tenha sido refutada de modo categórico, os médicos que se dedicam à acupuntura procuram encontrar um fundamento científico para a técnica. Segundo princípios anatômicos e fisiológicos, o estímulo da acupuntura obedece a impulsos nervosos, uma vez que a maior parte dos pontos de inserção localizam-se nas proximidades dos nervos periféricos. Outras teorias apontam para uma natureza humoral da acupuntura. Os defensores dessa corrente citam uma demonstração experimental: estabelecendo-se um regime de circulação cruzada em dois animais de laboratório e aplicando-se em somente um deles técnicas de acupuntura, elimina-se a sensação de dor em ambos os animais.

Acupuntura no Ocidente. As primeiras informações recebidas no Ocidente sobre a existência da acupuntura foram prestadas por missionários que viajaram à China e ao Japão nos séculos XII e XIII. No entanto, a disseminação da técnica como procedimento terapêutico de reconhecida eficácia só veio a ocorrer na segunda metade do século XX. O fato coincidiu com a introdução de técnicas orientais na década de 1960, o que levou à gradual assimilação de terapias alternativas à medicina tradicional do Ocidente. Em 1971 ocorreu um fato decisivo para a aceitação dos procedimentos acupunturais no Ocidente. Dois cirurgiões americanos assistiram na China a uma extirpação de ovário na qual a paciente foi anestesiada com a implantação de agulhas, permanecendo consciente durante toda a operação. A divulgação, por esses médicos, dos surpreendentes resultados da anestesia contribuiu para a definitiva consolidação da acupuntura no mundo ocidental. Posteriormente, o emprego da técnica se estendeu a especialidades para as quais não se previa sua utilização. Exemplo disso é o tratamento de certos quadros neurológicos como a hemiplegia, isto é, a paralisação de um dos lados do corpo, ou a paralisia facial. Na China, são tratados com acupuntura todos os tipos de alteração fisiológica, e até mesmo distúrbios ainda sem manifestação exterior. No Ocidente, nota-se uma tendência à aplicação dessas técnicas a disfunções psicossomáticas como a insônia, a astenia, as fobias etc.

Técnicas e materiais. Os efeitos da acupuntura podem ser reforçados com outras técnicas terapêuticas orientais, tais como a digitopuntura, que consiste na compressão de um ponto do corpo com os dedos, sem o emprego de agulhas, ou a auriculoterapia, modalidade acupuntural em que só se usam os pontos da orelha. A técnica da implantação consta de três etapas: no primeiro momento deve-se imobilizar a pele da zona em tratamento, mediante uma adequada pressão, exercida com os dedos; a seguir, determina-se cuidadosamente o ângulo de inserção da agulha, variável para cada caso; por fim, procede-se à perfuração cutânea. Esta se faz por pressão ou rotação da agulha, ou ainda com o emprego de um tubo finíssimo, o mandril, através do qual se faz passar a agulha, que se insere mediante um golpe seco sobre o extremo superior do tubo. Desde suas origens, a técnica da acupuntura sofreu poucas modificações. A mais relevante talvez tenha sido a mudança nos materiais das agulhas. Originalmente feitas de madeira, passaram depois a ser fabricadas de sílex e metal. As agulhas de metal amarelado (ouro, cobre) exercem um estímulo tonificante, enquanto as de metal prateado (aço) têm efeito sedativo. Uma das mais importantes inovações recentes foi a eletroacupuntura: um estimulador elétrico permite selecionar freqüências adequadas e graduar a intensidade do estímulo em função da necessidade e tolerância do paciente. Já se realizam também tratamentos com raios laser, baseados na técnica da acupuntura. As inovações descritas têm ampliado de modo considerável as possibilidades das milenares técnicas da acupuntura. ©Encyclopaedia Britannica do Brasil Publicações Ltda.