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Condicionamento

As pesquisas sobre condicionamento permitiram a formulação de técnicas para o tratamento de problemas de adaptação. Diversamente do que ocorre com as psicoterapias, voltadas para o desenraizamento de conflitos de base, o objetivo das terapias do comportamento é a extinção do sintoma.

Condicionamento, em psicofisiologia, é o processo natural ou artificialmente criado que induz o indivíduo a um comportamento determinado. Na base dos princípios do condicionamento estão as teorias de estímulo-resposta, que supõem serem os comportamentos decorrentes de aprendizagem. O reflexologista russo Pavlov dividiu as respostas reflexas em dois tipos: (1) respostas absolutas, inatas, permanentes e invariáveis, provocadas por estímulos específicos; e (2) respostas condicionadas, provocadas por estímulos neutros, isto é, sem vínculo natural com a resposta que provoca, à qual se associa por um processo de aprendizagem.

No exemplo clássico do cão que saliva quando ouve uma campainha, a cujo som foi associado o fornecimento de alimento, o próprio alimento é o estímulo absoluto, que provoca a salivação como resposta absoluta. O som da sineta, estímulo que por si só é neutro, depois do processo de aprendizagem se converte em estímulo condicionado, que provoca salivação como resposta condicionada. A condição de estímulo condicionado é alcançada pela apresentação associada de estímulos absolutos com estímulos neutros, nessa ordem e em curto intervalo de tempo.

À seqüência de apresentações de estímulos absolutos e neutros chama-se, no condicionamento clássico estudado por Pavlov, reforço. A apresentação repetida do estímulo condicionado sem o reforço da apresentação contígua do estímulo absoluto determina a extinção da resposta condicionada. Apresentações eventuais dos estímulos absolutos conjugados com os estímulos condicionados, no entanto, restabelecem o poder de resposta. A recuperação espontânea do poder de resposta também pode ocorrer, sem colaboração do estímulo reforçador.

O condicionamento operante ou instrumental, descrito pelo americano B. F. Skinner, difere do condicionamento clássico porque a reação aprendida serve de instrumento para obter uma recompensa. Na experiência de Pavlov, a salivação não desempenha função alguma na obtenção do alimento: o animal teria recebido a mesma comida mesmo que não aprendesse a salivar com o estímulo condicionado.

A noção de reforço, no condicionamento operante, se confunde com a de recompensa, pois um comportamento operante é recompensado, isto é, reforçado, ou punido. A recompensa aumenta a freqüência do comportamento em questão; a punição determina a redução de sua freqüência ou sua extinção. As respostas que garantem recompensa são repetidas e, portanto, aprendidas.

O mesmo tipo de condicionamento é aplicável a ações que permitem ao organismo evitar estímulos adversos. Acredita-se que o aprendizado ocorre como resultado do condicionamento instrumental, e não do clássico. Para efeitos práticos e terapêuticos, no entanto, a questão fundamental levantada pela teoria dos condicionamentos é a possibilidade de induzir mudanças comportamentais mediante um processo de aprendizagem. ©Encyclopaedia Britannica do Brasil Publicações Ltda.