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Disartria

A Disartria Consiste na dificuldade de articular as palavras, normalmente resultante de paresia, paralisia ou ataxia dos músculos que intervêm nesta articulação. A perturbação é mais acentuada quando se trata de pronunciar as consoantes labiais e linguais, as quais são omitidas ao dizer as palavras, ou a pessoa titubeia ao pronunciá-las. A alteração torna-se mais evidente quando se utilizam as frases de prova, como por exemplo, pedindo ao paciente que pronuncie "sou caricaturista, vou caricaturar-me no caricaturista", ou "artilheiro de artilharia", "ministro plenipotenciário".

Desta feita a Disartria acaba sendo sempre conseqüência de alteração neurológica e, normalmente, as pessoas portadoras de lesões suficientes para produzir Disartria acabam por mostrar outras alterações ao exame clínico. A Disartria pode ser encontrada nos traumatismos crânio-encefálicos, nas patologias tumorais do cérebro, cerebelo ou tronco encefálico, nas lesões vasculares encefálicas, na intoxicação alcoólica, na esclerose em placas, na paralisia pseudobulbar, nas paralisias periféricas do grande hipoglosso, pneumogástrico e facial.

Discinesia

A Discinesia é uma alteração dos movimentos voluntários, incluindo certos tipos de movimentos involuntários anômalos produzidos especialmente pelo consumo de alguns fármacos. As Discinesias podem ser coreiformes (não repetitivas, rápidas, espasmódicas e quase intencionais), atetóides (contínuas, lentas, sinuosas, anárquicas) ou movimentos rítmicos em determinadas regiões corporais que diminuem com os movimentos voluntários da parte afetada e aumentam com os movimentos voluntários da zona intacta. As Discinesias são conhecidas mais como efeitos secundários dos neurolépticos. Nesse caso se chamarão

Discinesias Tardias, aparecendo após o uso crônico de antipsicóticos (geralmente após 2 anos). Clinicamente a Discinesia Tardia é caracterizada por movimentos involuntários, principalmente da musculatura oro-língua-facial, ocorrendo protrusão da língua com movimentos de varredura látero-lateral, acompanhados de movimentos sincrônicos da mandíbula. O tronco, os ombros e os membros também podem apresentar movimentos discinéticos.

A Discinesia Tardia não responde a nenhum tratamento conhecido, embora em alguns casos possa ser suprimida com a readministração do antipsicótico ou, paradoxalmente, aumentando-se a dose anteriormente utilizada. Procedimento questionável do ponto de vista médico. É importante sublinhar que, embora alguns estudos mostrem uma correlação entre o uso de antipsicóticos e esta síndrome, ainda não existem provas conclusivas da participação direta destes medicamentos na etiologia do quadro discinético. Alguns autores afirmam que a discinesia tardia é própria de alguns tipos de esquizofrenia mais deteriorantes. Quando isso acontece normalmente pode-se recorrer aos Antipsicóticos Atípicos.

Disfunção executiva - desatenção, distração

Diz-se Disfunção Executiva das dificuldades, do ponto de vista neurofisiológico, de manter-se a atenção sustentada e seletiva, inibição de respostas, incosistência mental, dificuldade de planejamento e de atividades organizadas. Tem-se postulado que estas deficiências se devem a uma disfunção dos lobos frontais ou de suas interconexões. Os indivíduos que sofrem este tipo de transtorno possuem dificuldades de atenção e da memória executiva (alteração da capacidade para recordar algo durante um período suficientemente longo), têm dificuldade para iniciar, manter e inter-relacionar grupos de idéias abstratas e são incapazes de compreender a relação entre as coisas. A Disfunção Executiva pode dever-se a lessões em vários circuitos cerebrais, como os da córtex pré-frontal dorsolateral, núcleo caudado, globo pálido, substância negra e tálamo. Portanto, trata-se de um transtorno de origem predominantemente orgânica. Este transtorno pode afetar profundamente a capacidade de independência dos pacientes idosos e originar problemas no comportamento.

Disgeusia

Disgeusia é a alteração ou distorção do sentido do gosto (sabor metálico, fecalóide, de terra, sangue, etc) que pode ser iatrogênica, produzida por algum medicamento, pode ser um sintoma de depressão maior ou uma alucinação gustativa. Este síntoma se produz com maior freqüência em idosos depressivos, especialmente mulheres, assim como em pessoas com depressão psicótica (grave com sintomas psicóticos).

Tal alteração se deve a uma disfunção bilateral dos ramos sensitivos do sétimo par craniano, o qual, além de sua função motora, é responsábvel pela discriminação do gosto nos dois terços anteriores da língua. A Disgeusia associada com depressão costuma ser resistente ao tratamento farmacológico antidepressivo. Empiricamente, um tratamento com 220 mg/dia de sulfato de zinco pode producir uma completa resolução do problema gustativo mas sem afetar a depressão do paciente. Entretanto, a terapia eletroconvulsiva pode diminuir tanto a depressão como a Disgeusia. Este sintoma pode durar meses e ser muito incômodo para o paciente.

Disritmia Cerebral

Disritmia Cerebral é um transtorno no ritmo das ondas elétricas cerebrais freqüentemente associado a estados epilépticos. Psiquiatricamente a Epilepsia ou Disritmia Cerebral não pode ser considerada uma entidade patológica de sintomatologia única mas sim, um complexo de sintomas diversos e variáveis que se caracterizam por episódios paroxísticos (periódicos) e transitórios, capazes de alterar o estado da consciência, associar-se a alterações dos movimentos, convulsões e mesmo transtornos do sentimento, das emoções, da conduta, ou tudo isso junto.

A abordagem da Epilepsia ou Disritmia Cerebral tem sido muito diferente entre as duas disciplinas médicas que se ocupam do problema: a neurologia e a psiquiatria. Neurologicamente a Epilepsia ou Disritmia Cerebral pode ser entendida como uma disritmia cerebral paroxística capaz de provocar alterações no sistema nervoso central e, conseqüentemente, em todo organismo. Sob o ponto de vista psiquiátrico, também se entende a Epilepsia ou Disritmia Cerebral como uma disritmia cerebral paroxística, com alterações funcionais do sistema nervoso central e, conseqüentemente, manifestações no comportamento, nas emoções e nos padrões de reações do indivíduo.

Portanto, preferimos tomar a Epilepsia ou Disritmia Cerebral como uma síndrome neuropsiquiátrica, onde suas manifestações clínicas terão importância para a psiquiatria forense. Veja Epilepsia e Violência em Psiquiatria Forense Dismetría Dismetria é um trastorno do cerebelo que causa uma interpretação errônea da distância, desorientação espacial e incapacidade para alcançar com precisão um ponto determinado, mas não para reconhecê-lo estar à frente, atrás ou de ambos os lados.

Disnomia

Disnomia é a incapacidade para recordar nomes próprios. Provavelmente, esta é a anomalia da linguagem mais freqüente na Doença de Alzheimer e de outras formas de demência. Depois de ouvido os nomes próprios, aparece uma grande dificuldade para recordar sustantivos. Essa dificuldade progride até a alteração grave da fluidez da fala. Um teste que pode ser útil é a prova de fluidez por categorias, na qual o paciente dispõe de um minuto para referir tantos elementos possíveis em cada uma das seguintes categorias: vegetais, veiculos, ferramentas e roupa. Os pacientes com Alzheimer obtêm uma pontuação inferior a 50 elementos.

Disosmia

Disosmia é uma alteração ou distorção do sentido do olfato (hiper o hiposensibilidade para os odores, como odores de comidas ou de ambientes) que pode ser iatrogênica, ou um sintoma de depressão maior, ou ainda uma alucinação olfativa (Cacosmia). Este sintoma se produz com maior freqüência em mulheres idosas depressivas, especialmente naquelas que apresentam uma depressão psicótica. Habitualmente se trata de um transtorno idiopático. A Disosmia associada com a depressão pode ser resistente ao tratamento farmacológico antidepressivo. Um tratamento de experimental com 220 mg de sulfato de zinco pode produzir uma resolução completa da Disosmia, porém, sem melhorar a depresión do paciente.

Dispraxia

Dispraxia é a incapacidade para executar movimientos voluntariamente na ausência de alterações motoras elementares, defeitos da compreensão ou alterações cognitivas que a expliquem. A característica essencial da Dispraxia é um comprometimento grave do desenvolvimento da coordenação motora, não atribuível exclusivamente a um retardo mental global ou a uma afecção neurológica específica, congênita ou adquirida.

Na maioria dos casos, um exame clínico detalhado permite sempre evidenciar sinais que evidenciam imaturidade acentuada do desenvolvimento neurológico, por exemplo movimentos coreiformes dos membros, sincinesias e outros sinais motores associados; assim como perturbações da coordenação motora fina e grosseira. Veja Dispraxia como Transtorno do Desenvolvimento Motor Distimia

A característica essencial do Transtorno Distímico é um humor cronicamente deprimido que ocorre na maior parte do dia, na maioria dos dias, por pelo menos 2 anos. Os indivíduos com Transtorno Distímico descrevem seu humor como triste ou "na fossa". Em crianças, o humor pode ser irritável ao invés de deprimido, e a duração mínima exigida é de apenas 1 ano. Durante os períodos de humor deprimido, pelo menos dois dos seguintes sintomas adicionais estão presentes: apetite diminuído ou hiperfagia, insônia ou hipersonia, baixa energia ou fadiga, baixa auto-estima, fraca concentração ou dificuldade em tomar decisões e sentimentos de desesperança.

Os indivíduos podem notar a presença proeminente de baixo interesse e de autocrítica, freqüentemente vendo a si mesmos como desinteressantes ou incapazes. Como estes sintomas tornaram-se uma parte tão presente na experiência cotidiana do indivíduo (por ex., "Sempre fui deste jeito", "É assim que sou"), eles em geral não são relatados, a menos que diretamente investigados pelo entrevistador. Para os distímicos os fatos da vida são percebidos com muita amargura e são mais difíceis de suportar, de forma que as vivências desagradáveis são ruminadas por muito tempo e revividas com intensidade, sofrimento e emoção. Já as vivências mais agradáveis passam quase desapercebidas, são fugazes e esquecidas com rapidez. Na Distimia as sensações de doenças graves ou enfermidades mortais dificilmente são removíveis pela argumentação médica mas, por outro lado, as opiniões leigas depreciativas são enormemente valorizadas. Ao serem medicados, tais pacientes, normalmente "preferem" perceber os efeitos colaterais dos medicamentos aos efeitos terapêuticos pretendidos. Veja Distimia no PsiqWeb e DSM.IV

Distonia Aguda

Distonia Aguda ou Reação Distônica Aguda é um efeito colateral de antipsicóticos (neurolépticos) que ocorre, com freqüência, nas primeiras 48 horas de uso da medicação. Clinicamente observa-se movimentos espasmódicos da musculatura do pescoço, boca, língua e às vezes um tipo de opistótono (corpo todo contraído) com crises oculógiras (gira o lho). Deve-se fazer diagnóstico diferencial das crises convulsivas genuínas, gerais ou parciais, com tétano, que também proporciona opistótono e forte contratura muscular e com a histeria, teoricamente capaz de simular qualquer condição clínica exuberante.

O tratamento é com anticolinérgicos injetáveis (Prometazina - Fenergam® ou Biperideno - Akineton®) no músculo e costuma ser eficaz em poucos minutos para este quadro agudo. Distonia Neurovegetativa Distonia Neurovegetativa é um termo genérico e inexpecífico que serve para denominar qualquer desequilíbrio no Sistema Nervos Autônomo entre os subsistemas Simpático e Parassimpático.

Fisiologia da Distonia Neurovegetativa

Durante qualquer estresse participa ativamente do conjunto das alterações fisiológicas o chamado Sistema Nervos Autônomo (SNA). Trata-se, este SNA, de um complexo conjunto neurológico que controla, autonomamente, todo o meio interno do organismo, através da ativação e inibição dos diversos sistemas, vísceras e glândulas. Na Fase de Choque (início do estresse) predomina a atuação de uma parte deste SNA chamado de Sistema Simpático, o qual proporciona descargas de adrenalina da medula da glândula supra-renal e de noradrenalina das fibras pós-ganglionares para a corrente sanguínea.

Alguns estudos mais recentes sugerem que a emoção da raiva, quando dirigida para fora, estava associada mais à secreção de noradrenalina. Entretanto, na depressão e a na ansiedade, onde os sentimentos estão dirigidos mais para si próprio, a secreção de adrenalina predomina. Ainda durante o momento em que está havendo estimulação estressante aguda (Fase de Choque da Reação de Alarme), uma parte do Sistema Nervoso Central denominado Hipotálamo promove a liberação de um hormônio, o qual, por sua vez, estimula a hipófise (glândula vizinha ao Hipotálamo) a liberar um outro hormônio, o ACTH, este ganhando a corrente sanguínea e estimulando as glândulas Supra-renais para a secreção de corticóides. Como percebemos, toda a seqüência de acontecimentos tem origem no cérebro, e o Hipotálamo é que acaba disparando a sucessão de eventos. Ao mesmo tempo em que esse Hipotálamo está providenciando a estimulação da Hipófise para secreção do ACTH, também proporciona a secreção outros neuro-hormônios (hormônios produzidos no cérebro), tais como os chamados peptídeos cerebrais, como é o caso das endorfinas (que modificam o limiar para dor), STH (que acelera o metabolismo), prolactina e outros. Desaparecendo os agentes estressores, todas essas alterações tendem a se interromper e regredir.

Se, no entanto, por alguma razão o organismo continuadamente submetido à estimulação estressante, portanto, é obrigado a manter seu esforço de adaptação, uma nova fase acontecerá. Trata-se da Fase de Resistência. Fase de Resistência A Fase de Resistência se caracteriza, basicamente, pela hiperatividade da glândula supra-renal sob influência do Diencéfalo, Hipotálamo e Hipófise. Nesta fase, mais crônica, há um aumento no volume da supra-renal, concomitante a uma atrofia do baço e das estruturas linfáticas e um continuado aumento dos glóbulos brancos do sangue (leucocitose). Se os estímulos estressores continuam, tornando-se crônicos e repetitivos, a resposta começa a diminuir de intensidade e pode haver uma antecipação das respostas. É como se a pessoa começasse a se acostumar com os estressores mas, não obstante, pudesse também desenvolver a reação diante apenas da perspectiva ou expectativa do estímulo.

Vamos imaginar, hipoteticamente, uma pessoa que se deparasse com uma cobra no meio de sua sala, quase todas as vezes que entrasse em casa. Com o tempo sua reação ao ver a (mesma) cobra tende a diminuir, embora ainda continue tomando muito cuidado. Vai chegar um momento em que, mesmo não vendo a cobra, nessa vez que chegou em casa, ficará estressado. Talvez tenha grande ansiedade ao imaginar onde poderia estar hoje a tal cobra. Diz um ditado que a diferença entre medo e ansiedade é exatamente essa; medo é encontrar uma cobra dentro do quarto, e ansiedade é saber que tem uma cobra dentro do quarto. Continuando ainda o agente estressor o organismo vai à terceira fase da SGA, a Fase de Exaustão. Fase de Exaustão É exatamente aqui que pode acontecer a Distonia Neurovegetativa, quando começam a falhar os mecanismos de adaptação e déficit das reservas de energia. Essa fase é grave, levando à morte de alguns organismos. A maioria dos sintomas somáticos e psicossomáticos ficam mais exuberantes nessa fase.

Como se supõe, a resistência do organismo não é ilimitada. O estado de Resistência é a soma das reações gerais não específicas que se desenvolvem como resultado da exposição prolongada aos agentes estressores, frente aos quais desenvolveu-se adaptação e que, posteriormente, o organismo não pode mantê-la. As modificações biológicas que aparecem nessa fase se assemelham aquelas da Reação de Alarme, mais precisamente às da fase de choque. Mas, nesta fase o organismo já não é capaz de equilibrar-se por si só e sobrevém a falência adaptativa.

Distração

Sob o rótulo de distração existem dois estados diferentes. Por excesso ou por falta de tenacidade. Primeiro, diz respeito à dificuldade da Atenção em fixar-se, portanto, falta de tenacidade. A dificuldade de tenacidade, por si só, não implica, como vimos, em prejuízo obrigatório da vigilância. Muito pelo contrário. Nos transtornos hipercinéticos das crianças observamos, quase sempre, uma hiper-vigilância acompanhada de hipo-tenacidade. Ela desvia sua Atenção diante de qualquer estímulo ambiental. No segundo caso trata-se do contrário, ou seja, de uma concentração ou tenacidade muito intensa em determinado estímulo, assunto ou representação, que acaba por impedir a apreensão de tudo que não se refere ao motivo principal da Atenção, ou seja, por quase abolição da vigilância.

É a distração do preocupado, do sábio ou do estudioso, interessados vivamente e exclusivamente por algum pensamento. Na distraibilidade do primeiro caso, por falta de tenacidade, ocorre a diminuição da Atenção voluntária e a aumento da Atenção espontânea. No segundo caso, ao contrário, por excesso de tenacidade, como por exemplo na ioga, há aumento da Atenção voluntária e diminuição da Atenção espontânea. Afetivamente podemos dizer que nos estados de euforia a distraibilidade é do primeiro tipo e nos casos depressivos é do segundo, porém, em ambos extremos do humor haverá certamente prejuízo da Atenção.