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Poliomielite

Desde a década de 1960, quando começaram a se generalizar no mundo as campanhas de vacinação, a poliomielite entrou em regressão e deixou de ser uma das doenças epidêmicas mais comuns e de mais dramáticas conseqüências entre a população infantil. A poliomielite anterior aguda, também chamada paralisia infantil, pólio ou ainda doença de Heine-Medin, é uma doença neurológica caracterizada, anatomicamente, por lesões inflamatórias de evolução aguda localizadas nos cornos anteriores da medula espinhal e núcleos de nervos motores cranianos.

Caracteriza-se clinicamente por paralisias resultantes do comprometimento do neurônio motor periférico, de tipo infeccioso, causadas por vírus específicos. De difícil individualização, os vírus da poliomielite dividem-se, do ponto de vista imunológico, em três grupos: grupo 1, tipo Brunhilde; grupo 2, tipo Lansing; e grupo 3, tipo Léon. Cada um deles produz imunidade específica. Não existe, ao que parece, relação entre o tipo de vírus e o quadro clínico. Outros vírus (Coxsackie A7 e outros enterovírus) podem causar doenças clinicamente impossíveis de distinguir da poliomielite, cujas características ainda não estão bem estabelecidas, o que pode explicar alguns aparentes malogros da vacinação.

Patogenia. Introduzido no organismo por diferentes vias, sobretudo a digestiva, o vírus é eliminado pelas fezes. O contato pode ocorrer por via direta (de indivíduo para indivíduo) ou indireta (água, alimentos, insetos). No organismo, o vírus prolifera na submucosa do intestino ou faringe e depois alcança a corrente circulatória, através da qual se difunde por todo o organismo. Entre outras estruturas, atinge o miocárdio e o sistema nervoso. Por essa razão, define-se poliomielite como uma doença geral, que acidental e raramente atinge os neurônios da coluna cinzenta anterior da medula ou dos núcleos dos nervos cranianos situados no tronco cerebral.

O período de incubação (entre o contágio e o surgimento das manifestações clínicas) pode variar de 3 a 35 dias. Em geral, a doença se manifesta ao redor do décimo dia após a exposição ao vírus. A grande maioria das pessoas atingidas desenvolve infecção silenciosa ou com poucos sintomas. A paralisia só ocorre numa minoria. A doença aguda, com intensas manifestações de comprometimento do sistema nervoso, pode apresentar-se após uma fase inicial -- com febre, dores de cabeça, dores de garganta, coriza, vômitos e às vezes rigidez de nuca -- ou instalar-se de maneira abrupta.

Diagnóstico. Vários dados fundamentais devem ser levados em consideração no diagnóstico clínico da poliomielite, mas as variadas formas com que se apresentam os sintomas dão origem a uma margem de erro, mesmo nos centros mais avançados. Em crianças, a dificuldade do diagnóstico se acentua pela falta de colaboração, seja em relação às queixas subjetivas, seja em relação ao exame neurológico. Os dados relevantes para o diagnóstico são: (1) faixa etária do paciente, no Brasil situada entre seis meses e três anos de vida; (2) instalação súbita precedida de sinais infecciosos inespecíficos; (3) assimetria na distribuição das paralisias ou no grau de comprometimento dos diversos músculos atingidos; (4) paralisia do tipo neurônio motor periférico, em que ocorrem diminuição da tonicidade muscular e atrofias; (5) ausência de alterações de sensibilidade; (6) comprometimento dos músculos respiratórios; (7) paralisia de nervos cranianos; e (8) alterações relativamente intensas do líquido cefalorraquidiano. Não existe tratamento específico para combater o vírus da poliomielite. Como a maioria dos casos evolui para a cura completa, é importante manter o bom estado geral do paciente.

Profilaxia. A poliomielite ocorre com mais freqüência e gravidade em países mais desenvolvidos. As populações mais pobres estão sujeitas a infecções precoces e, portanto, em melhores condições para adquirir imunidade, pois ainda são portadoras, em muitos casos, de imunidade parcial adquirida passivamente da mãe. Por se tratar de doença altamente contagiosa, são necessárias medidas profiláticas rigorosas. Como o vírus é eliminado sobretudo pelas fezes, deve-se, por ocasião de epidemias, evitar aglomerações, ingerir vegetais crus e água de poços contaminados, combater as moscas, observar as medidas de higiene pessoal, reduzir ao mínimo as atividades físicas das crianças e usar seringas e agulhas descartáveis.

O vírus da poliomielite é um dos mais resistentes, capaz de sobreviver durante meses nas águas dos esgotos. O aquecimento da água até à fervura é uma das formas mais seguras de inativá-lo, assim como o emprego de substâncias químicas como o cloro, na água, e o iodo, no sal. Medidas que objetivam melhorar as condições sanitárias da população, bem como a imunização profilática, são fundamentais para impedir o surgimento de surtos.

A imunização é feita utilizando-se vacinas com vírus atenuados (Sabin) administradas oralmente, ou com vírus mortos (Salk), injetáveis. A vacina Sabin é a mais utilizada, por seu baixo custo e facilidade de administração: três doses com intervalo de um mês entre cada uma, a primeira delas administrada no segundo ou terceiro mês de vida. Pode ser aplicada mesmo quando a criança esteja recebendo outras vacinas, como a tríplice.