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Psicoterapia

O arsenal terapêutico do psiquiatra e do psicólogo conta com dois recursos básicos: a administração de psicofármacos e a psicoterapia. Psicoterapia é qualquer método de tratamento de distúrbios psicológicos ou emocionais baseado numa relação deliberadamente estabelecida entre terapeuta e paciente, ou grupo de pacientes, com o objetivo de remover sintomas ou estimular o desenvolvimento da personalidade.

Os recursos empregados são os mais diversos: hipnose, sugestão, reeducação psicológica, persuasão etc. É no contato humano entre terapeuta e paciente que reside a chave da ação psicoterápica, que não se limita apenas ao tratamento de estados psicopatológicos.

Os métodos psicoterapêuticos modernos, individuais ou de grupo, são aplicáveis a todas as formas de sofrimento emocional e incluem o tratamento de transtornos de conduta em crianças e adultos; reações emocionais às dificuldades rotineiras ou às crises existenciais; psicoses, que se caracterizam por desorganização mental tão severa que muitas vezes requerem internação; psiconeuroses, ou distúrbios emocionais crônicos baseados em conflitos remotos; vícios, como a toxicomania e o alcoolismo; doenças psicossomáticas, em que distúrbios de ordem emocional causam ou agravam lesões físicas; obsessões e estresse.

Histórico. Foi o médico francês Philippe Pinel o primeiro a utilizar uma terapia baseada no contato pessoal, orientada por um programa de atividades destinadas a conquistar o bem-estar do paciente. Com o Traité médico-philosophique sur l'aliénation mentale ou la manie (1801; Tratado médico-filosófico sobre a alienação mental ou a mania), Pinel pôs fim à crença tradicional na possessão demoníaca dos doentes mentais e ao tratamento brutal a que eram submetidos nos hospitais. Durante o século XIX, a hipnose foi o principal método de tratamento psicoterápico das doenças mentais.

A análise do fenômeno da hipnose e o estudo de seus efeitos catárticos formaram a base sobre a qual Sigmund Freud e Josef Breuer estruturaram a psicanálise, ciência dos mecanismos inconscientes, que é também uma psicoterapia. Tipos de psicoterapia. Entre as modernas técnicas psicoterapêuticas incluem-se os tratamentos por sugestão, fundados no fato de que determinadas pessoas são permeáveis às idéias que outros lhes transmitem; tratamentos por persuasão e apoio, nos quais a relação entre terapeuta e paciente ocorre no plano verbal, com vistas a um efeito catártico ou de descarga emocional de um conflito interno; e de treinamento em atividades capazes de exercer efeitos benéficos sobre o psiquismo do paciente, como a laborterapia, a musicoterapia etc.

As terapias comportamentais, com base na teoria do reflexo condicionado do médico e fisiologista russo Ivan Petrovitch Pavlov e nos princípios da psicologia da aprendizagem, tentam obter a cura de estados emocionais patológicos específicos pelo estudo das circunstâncias em que estes se produzem. Assim, a recriação de cenas relacionadas com situações angustiantes pode fazer com que desapareçam os sintomas, quando essas cenas são evocadas em estado de completo relaxamento. As terapias individuais têm em geral como objetivo a reorganização da personalidade global do paciente, com o que se pretende que ele modifique a percepção que tem de si mesmo e dos demais.

Nessas técnicas, o papel do terapeuta e o estabelecimento de um clima de compreensão na relação transferencial são essenciais para ajudar o paciente a chegar ao conhecimento pleno de seus sentimentos e de sua conduta. Psicoterapia analítica. Com uma participação importante do terapeuta, as técnicas centradas na psicanálise dirigem-se fundamentalmente para a reestruturação do eu, de forma que o paciente possa resolver seus conflitos e abandonar os mecanismos patológicos de defesa. A terapia psicanalítica tem como propósito trazer à consciência os conteúdos inconscientes dos conflitos, com a destruição dos mecanismos anormais cristalizados desde a infância e sua substituição por outros mais maduros. A descoberta dos conteúdos inconscientes se dá por meio da livre associação de idéias, pela análise dos sonhos e pelo estudo dos sintomas e da conduta do paciente.

A terapia psicanalítica adota técnicas muito diversas, dependendo da escola em questão. Na escola jungiana -- criada por Carl Gustav Jung --, o analista auxilia o paciente na elaboração dos ideais de vida, a exemplo do que ocorre na escola adleriana, fundada por Alfred Adler, na qual o analista se transforma em orientador. Algumas escolas acreditam que o "olhar positivo incondicional" do terapeuta em relação ao paciente produz por si só importantes mudanças. Todas as terapias incluídas na tradição psicanalítica enfatizam a importância da relação terapeuta-paciente e tentam levar o paciente a reconhecer e compreender seus próprios sentimentos.

A psicanálise tradicional dá prioridade à análise dos sonhos como meio de conhecimento dos sentimentos profundos, e se empenha em ajudar o paciente a redescobrir, reviver e "trabalhar" as emoções traumáticas das primeiras etapas da vida, quando supostamente os conflitos tiveram origem. Todas as escolas concordam em que, na íntima e prolongada relação com o terapeuta, o paciente finalmente vai alimentar em relação a ele os sentimentos que perturbam suas relações com as pessoas emocionalmente próximas, na vida passada e presente.

Quando terapeuta e paciente reconhecem o estabelecimento dessa "reação de transferência", abre-se o caminho para a solução dos conflitos. Terapias alternativas. Existem muitas outras formas de terapia, como a terapia bioenergética, o psicodrama, a terapia gestaltista, a análise transacional etc. Nessas atividades, estão presentes elementos psicanalíticos e atividades de relaxamento, de grupo etc., algumas delas de inspiração oriental e naturalista. Essas terapias se filiam a múltiplas orientações e tendências. Seu desenvolvimento é multiforme e sua sobrevivência depende, em grande parte, da aceitação por parte da comunidade clínica. ©Encyclopaedia Britannica do Brasil Publicações Ltda.