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Queimadura

Entre os acidentes que ocorrem com maior freqüência e que mais graves lesões podem causar encontram-se as queimaduras. Mesmo quando superficiais, podem acarretar complicações se a área atingida for muito extensa. Queimadura é a afecção resultante da ação do calor sobre o revestimento cutâneo.

Pode ser provocada por corpos sólidos (brasas, por exemplo), líquidos (como a água em temperaturas elevadas) ou gasosos (como o vapor de uma caldeira). Além dos agentes térmicos, o gelo, produtos químicos cáusticos (ácidos e bases fortes) e certas radiações podem originar uma queimadura. As características da afecção dependem tanto da natureza do agente etiológico quanto do tempo de atuação do mesmo sobre o tecido afetado. Em geral, os corpos em estado gasoso determinam lesões de caráter difuso e com pequeno grau de penetração.

Os líquidos se disseminam por maiores extensões, mas seu efeito se prolonga por menos tempo. Os sólidos freqüentemente produzem lesões menos extensas, bem delimitadas e com maior profundidade. As radiações podem causar alterações mais graves segundo o tipo, a distância da fonte emissora e o tempo de exposição.

Classificação e efeitos. A avaliação das queimaduras leva em consideração a profundidade, a extensão e a etiologia. Quanto à profundidade, classificam-se em graus: são de primeiro grau as queimaduras leves e superficiais, que alcançam somente a epiderme; de segundo grau são as que alcançam toda a epiderme e parcialmente a derme; de terceiro grau são as que alcançam toda a epiderme e a derme e, parcial ou totalmente, outros tecidos mais profundamente situados. Quanto à extensão, classificam-se segundo a porcentagem da superfície lesada, o que determina as possibilidades de sobrevivência. Muitas pessoas podem sobreviver a uma queimadura de segundo grau que afete setenta por cento da área do corpo, mas poucas podem resistir com vida a queimaduras de terceiro grau que afetem cinqüenta por cento da área corporal.

Quanto à etiologia, classificam-se em simples e complexas. Do primeiro tipo são as que resultam apenas da atuação do calor (queimaduras por líquidos, vapores, sólidos aquecidos, substâncias inflamáveis etc.). As queimaduras complexas são causadas por eletricidade, raios X, bombas atômicas etc. Uma forma rápida e eficaz de avaliar à primeira vista a gravidade de uma lesão por queimadura é a chamada "regra dos nove", por meio da qual se pode determinar com razoável precisão a superfície afetada, sobretudo em adultos.

Segundo essa regra, a cabeça e o pescoço representam nove por cento da superfície total; os braços, nove por cento cada um; as pernas 18% cada uma; as costas e a parte anterior do tronco, 18% de cada lado (esquerdo e direito). Ao atuar sobre o revestimento cutâneo, o calor produz inicialmente dor, cuja intensidade depende de terem ou não sido atingidas as terminações nervosas sensitivas da pele e de que elas tenham ou não sido destruídas. Também conforme a gravidade do caso, as queimaduras causam perda de grandes quantidades de líquidos vitais do organismo. Palidez, queda de pressão sangüínea, frio nas extremidades do corpo e mesmo a perda dos sentidos são conseqüências comuns. A lesão dos vasos sangüíneos pode originar sangramento. O quadro geral se agrava com a perda de sais e íons, sobretudo de sódio e potássio, o que altera de forma drástica o equilíbrio iônico e osmótico do indivíduo.

Além de transtornos nervosos e emocionais, a vítima também se encontra sujeita ao risco de infecções, inclusive a tetânica, dado que as áreas atingidas se encontram sem a proteção de seus tecidos tegumentares. A ação de germes gram-negativos tem sido a principal causa de morte de vítimas de queimaduras depois de vencida a fase do choque. Outra complicação temível das queimaduras é o comprometimento das funções renais, pois como a função excretora da pele está paralisada em grande parte, as toxinas acumuladas no organismo podem provocar septicemia, processo infeccioso generalizado em que o sangue desempenha papel propagador. As cicatrizes viciosas, que deformam o corpo e provocam aderências, são uma das seqüelas que mais afetam psicologicamente o queimado.

Tratamento. No atendimento a queimados é necessário, inicialmente, considerar a área atingida: se a queimadura for generalizada, o choque deve ser a primeira preocupação. Deve-se considerar essa hipótese antes mesmo que se instale e logo pôr o paciente em repouso absoluto, protegê-lo contra o resfriamento, fazê-lo ingerir bebidas quentes e tranqüilizá-lo. Num primeiro momento, o tratamento das queimaduras procura aliviar a dor, restabelecer os líquidos perdidos e evitar infecções. Alcançados esses objetivos, busca-se a recuperação dos tecidos afetados e a cicatrização das áreas atingidas, com a menor desfiguração possível. Deve-se levar em conta que, mesmo depois de afastada a fonte causadora da queimadura, pode permanecer nos tecidos um calor residual que continua provocando lesões.

Por esse motivo, com o objetivo de eliminar inteiramente o calor, a área deve ser submetida a esfriamento mediante, por exemplo, o uso de água em temperatura inferior à da pele, o que também alivia a dor. O tratamento local é feito em função da extensão da queimadura e de sua profundidade. O problema principal é a limpeza da superfície queimada quando esta se encontra poluída por resíduos carbonizados. Nesse caso, emprega-se sabão líquido e água ou soro fisiológico mornos. O uso de anti-séptico não é recomendável, mesmo quando associados a substâncias anestésicas, porque, embora aliviem a dor, agravam a destruição dos tecidos. Se a área afetada for reduzida, deve ser coberta com um tecido suave e neutro, como gaze. Se, ao contrário, for extensa, o melhor é deixá-la ao ar livre, desde que a vítima esteja acomodada em local submetido a rigorosa assepsia. O emprego local de substâncias popularmente tidas como eficazes para tratar queimaduras, como rodelas de cebolas, casca de batata, fuligem, pó de café etc., deve ser evitado, por aumentar a possibilidade de contaminação das lesões e facilitar as infecções.

Queimaduras solares. A exposição prolongada da pele aos raios solares pode provocar queimaduras, sobretudo em pessoas de pele muito clara ou não habituadas ao banho de sol. Tais lesões, em geral extensas, são quase sempre superficiais (de primeiro grau) e raramente atingem maior profundidade. Clinicamente manifestam-se pelo aparecimento de eritema (vermelhidão) acompanhado de ardor e dor de intensidade variável. A forte ardência se exacerba com estímulos externos, como o contato com as vestes ou mesmo o sopro da brisa. Entre o quarto e o quinto dias, a coloração de avermelhada torna-se escura, o que indica a mortificação das camadas superiores da pele. Inicia-se então a fase de descamação, quase sempre acompanhada de intenso prurido. É comum certo grau de insolação associar-se às queimaduras solares. Em determinadas situações, a insolação apresenta gravidade maior que a própria queimadura. ©Encyclopaedia Britannica do Brasil Publicações Ltda.