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Reflexo

A capacidade de reagir a estímulos é uma das características fundamentais dos seres vivos. Isso lhes permite estabelecer uma relação efetiva com o mundo externo, assim como uma percepção mais ou menos rudimentar de seu organismo, conforme o grau de evolução. Parte importante dessa capacidade de reagir aos estímulos é dada pelos reflexos. Reflexo é a resposta imediata, de natureza nervosa, que se registra nos animais superiores ante um estímulo interno ou externo e se exterioriza como movimento ou secreção glandular.

A motricidade reflexa é a mais primitiva dos três tipos de motricidade -- as outras são a motricidade automática e a voluntária. O ato reflexo, ou motricidade reflexa, é um processo involuntário que ocorre quando um receptor sensorial é estimulado. A base morfológica do reflexo é o arco reflexo, que consta basicamente de um neurônio sensorial que capta o estímulo; de um centro reflexo situado na medula espinhal, onde se recebe a informação transmitida pelo anterior; e um neurônio motor ou eferente, que provoca a resposta ao estímulo. Reflexos vegetativos e condicionados. Os centros reflexos encarregados de determinadas respostas específicas encontram-se situados em diferentes níveis da medula, como os que produzem a ereção do pênis, a ejaculação, a sudorese etc.

Alguns estão localizados no bulbo raquidiano, parte do eixo cerebrospinal próximo ao encéfalo. É o caso dos centros respiratório, circulatório, da deglutição etc., que controlam as atividades correspondentes. O funcionamento vegetativo do organismo encontra-se regulado e controlado pelo conjunto de reflexos variados, entre os quais aqueles relacionados aos ritmos respiratório, circulatório ou da secreção da saliva.

Podem ser citados, ainda, o reflexo patelar, que provoca a extensão da perna em conseqüência do estiramento do tendão da rótula; a tosse; o ato de piscar; os reflexos posturais, com os quais se mantém o equilíbrio do corpo em condições estáticas e dinâmicas; o tônus muscular; o rubor e a palidez. Todos esses reflexos são inatos, não aprendidos, e são quase todos de caráter involuntário, embora se possa exercer certo controle sobre alguns. Aparecem em todos os indivíduos da mesma espécie, logo que as vias nervosas responsáveis por sua produção estejam completamente desenvolvidas. Os reflexos condicionados exigem aprendizagem prévia para se reproduzirem.

Criam-se por repetição de um determinado estímulo e, uma vez adquiridos, verificam-se sempre que ocorra o estímulo desencadeador. Caracterizam-se por sua instabilidade, pois desaparecem transitoriamente ou se perdem com facilidade. Exemplos clássicos são as experiências do fisiologista russo Ivan Pavlov. O cientista induziu num cachorro o reflexo condicionado ao fazer soar uma campainha enquanto o cão se alimentava.

Depois de repetir a operação algumas vezes, observou-se que o simples som do instrumento desencadeava a salivação no animal, que associava o estímulo ao ato de comer. Demonstrou-se a possibilidade de criar reflexos condicionados mesmo em animais de sistema nervoso muito simples, entre os quais os anelídeos, platelmintos e equinodermos, além dos animais superiores. Em virtude da estreita relação existente entre fenômenos biológicos e psicológicos, a teoria dos reflexos exerceu grande influência no pensamento psicológico e tornou-se especialmente importante para as escolas que acreditam na afinidade da psicologia com as ciências naturais.

A teoria dos reflexos foi assimilada pela psicologia e criaram-se mesmo escolas psicológicas identificadas com a reflexologia. O estudo dos reflexos condicionados, em que foram pioneiros Pavlov e Karl Lashley, evoluiu a tal ponto que "condicionamento" tornou-se sinônimo de "aprendizagem". Com base na experiência, foram enunciadas leis sobre a contigüidade de estímulo e resposta, sobre a maneira de reforçar o estímulo para obter a resposta desejada e sobre o efeito da estimulação na redução de necessidades orgânicas.

Reflexos patológicos. Em muitos quadros clínicos, registram-se transformações nos centros nervosos que produzem sintomas de grande valor no diagnóstico. Entre os inúmeros casos de interesse no diagnóstico da patologia há, por exemplo, o reflexo de Flatau, dilatação da pupila por inflexão da cabeça, que pode ocorrer na meningite; o reflexo de Capp, problema vasomotor típico da pleurite; e o reflexo que provoca a dilatação das veias jugulares ao se pressionar o fígado, sintoma de lesão cardíaca. ©Encyclopaedia Britannica do Brasil Publicações Ltda.